Mudar - um bicho de 7 cabeças?

 

Mudar - um bicho de 7 cabeças?





Escolher crescer, evoluir. 

Momentos de vida que exigem de nós uma escolha ou uma alteração daquilo que somos ou fazemos. Todos nós temos estes momentos, certo? 



Quando mudamos de emprego, quando nos comprometemos com uma relação séria, quando escolhemos o curso que vamos tirar, quando trocamos de casa, quando temos de tomar uma opção quanto aos cuidados a prestar aos nossos pais idosos. Enfim, é grande o rol de momentos que nos “obrigam” a ter de crescer. 

Nesses momentos, é preciso abrir as asas e lutar para sair da zona de conforto, abraçando aquele que é o nosso desejo de evoluir. Quem escolhe ficar permanece, sem dúvida, mais confortável, mas corre o risco de se conformar. Quem escolhe seguir enfrenta, sem dúvida, dificuldades e obstáculos (interiores e/ou exteriores) e “corre o risco” de evoluir, principalmente enquanto pessoa. 

Neste tipo de situação em que queremos mudar algo em nós ou na situação em que nos encontramos, o facto da nossa vida ou maneira de ser não estar em consonância com aquilo que pretendemos pode levar a uma sensação de mal-estar com reações fisiológicas associadas. Não queremos estar sujeitos a essa sensação desagradável e, por isso, fazemos por resolver aquilo que gera o desconforto, o que nos motiva a mudar. É como se a nossa mente indicasse ao nosso corpo que pretendemos mudar e, para isso, há ativações fisiológicas no sentido de alterar o comportamento, os nossos pensamentos ou a situação em que nos encontramos. 

Vou dar uma ilustração concreta. Uma pessoa cuja realização pessoal passa pelo trabalho e por ter sucesso enquanto profissional tem um filho com uma deficiência debilitante que exige mais presença familiar, bem como mais cuidados e tempo. Durante um período após o nascimento do mesmo, continua a dedicar o tempo que sempre dedicou ao trabalho. Começa a sentir-se ansioso e desconfortável e assim permanece durante uns meses, chegando mesmo a uma sensação de grande angústia. Para essa pessoa, a necessidade de cuidar do filho não coincide com a sua visão sobre a importância de trabalhar e sobre a necessidade que tem se realizar profissionalmente. Após este conflito interno decide reduzir as horas laborais diárias e, para que haja coerência entre aquilo que pensa, aquilo que escolheu e aquilo que vive, passa a considerar para si mesmo que o tempo dedicado à família é tão importante como o tempo dedicado ao trabalho. 

Este é, certamente, um caso atípico, mas exemplifica o processo que ocorre em nós e que nos leva a mudar. Naturalmente, temos na nossa vida pequenas situações nos fazem entrar em conflito connosco mesmos, de forma consciente ou inconsciente. Podemos até saber quais são essas características ou situações que queremos mudar, provavelmente só não decidimos ainda “arregaçar as mangas” e criar essa mudança. Talvez hoje seja o dia. 



Publicado originalmente no Jornal de Mafra

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