E agora, quem ajuda? – Efeito do Espectador


E agora, quem ajuda? – Efeito do Espectador

Era sábado de manhã. O José estava a brincar no parque da sua cidade. Feliz, rodava de baloiço em baloiço e dizia adeus à mãe que, ocupada de olhar atento entre o José e a Maria, a sua segunda filha, dava o biberão à Leonor, a benjamim da família. Enquanto sorria para a pequena no seu colo, ouviu um grito do José e, milésimos de segundo depois, um silêncio. Algo se tinha passado. Quando olhou, viu-o no chão, inanimado. Entrou em pânico! Gritou por socorro para que alguém corresse a ajudar mas todos olhavam petrificados, sem agir. Então, desesperada por querer ajudar o seu filho o mais depressa possível colocou a Leonor no carrinho, correu rapidamente a buscar a Maria e só depois pôde ir para junto do José. Com as duas filhas atrás, chegou ao pé dele, colocou-o em posição lateral de segurança e entretanto o José acordou. Chamou auxílio médico e, assistido no hospital, felizmente só partiu a cabeça. Veio-se a saber que o José levou despropositadamente com um baloiço na cabeça, pois outro menino que brincava no parque lançou-se para trás enquanto o José passava.
            Esta mãe está muito triste. Desiludida com os outros. Questiona-se vezes sem conta porque é que num momento de tão grande aflição ninguém se dignou a ajudar.
            Que fenómeno é este? Porque é que ninguém ajudou e, em vez disso, ficaram apenas a olhar?
            Este é um dos fenómenos muito estudados em psicologia: o efeito do espectador. O efeito do espectador pode ocorrer por diversos motivos. Em primeiro lugar ao ver a situação a pessoa que está a assistir pode não perceber o que está a acontecer e/ou não saber como agir. Por isso, acaba por não tomar nenhuma atitude porque não sabe como o fazer nem tem a certeza do que se está a passar. Pode também ocorrer que ao ver a situação, a pessoa olhe para os outros para perceber se, de facto, é ou não uma emergência. Como os outros não agem, acaba por decidir que não é e, por isso, não presta auxílio. Para além disso pode haver a difusão de responsabilidade. Ou seja, a pessoa parte do princípio que, como muitas outras estão a ver o mesmo que ela, certamente alguém vai ajudar e, por isso, sente-se pouco responsável por ir ela mesma prestar auxílio.
            Muitas vezes isto resulta num conflito interior da pessoa que está a assistir à emergência. Por um lado sente o impulso para agir e por outro tem a ideia de que a responsabilidade de ajudar não é só sua. Por causa deste fenómeno, já ocorreram várias situações de emergência em que ninguém foi ajudar, inclusivamente assassinatos. Está estudado que quanto maior é o grupo de espectadores menor é a probabilidade de cada pessoa agir, porque se sente menos responsável pelo decurso da situação.
            Certamente que nós já estivemos expostos a uma situação assim, ainda que de menor importância. Alguém que caiu na rua, um acidente de viação a que assistimos ou até um desmaio de outra pessoa. Mas, agora que o conhecimento está do nosso lado, deixo um desafio: perante uma situação de emergência, vamos agir! Pois, se não formos nós os primeiros a agir, pode acontecer que ninguém o faça.


Referências Bibliográficas:
Gleitman, H., Fridlund, A. J., & Reisberg, D. (2011). Psicologia (9ª ed). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

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